Título Original: Les Misérables
Ano: 2013
Direção: Tom Hopper
Gênero: Musical
Nacionalidade: Reino Unido
Sinopse: Adaptação de musical da Broadway, que por sua vez foi inspirado em clássica obra do escritor Victor Hugo. A história se passa em plena Revolução Francesa do século XIX. Jean Valjean (Hugh Jackman) rouba um pão para alimentar a irmã mais nova e acaba sendo preso por isso. Solto tempos depois, ele tentará recomeçar sua vida e se redimir. Ao mesmo tempo em que tenta fugir da perseguição do inspetor Javert (Russell Crowe).
Fonte
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Acredito que seja necessário um preparo para mente quando se tem o intuito de ver um musical. É um desafio pra quem faz e um desafio pra quem assiste.
Eu não sou fã de musicais, e acho que é muito desafiador pra qualquer produção. E é por isso que na minha humilde opinião seja tão difícil achar um musical realmente bom. No caso de Os Miseráveis o desafio é ainda maior, pois trata-se de um dos maiores clássicos do século XIX, com tantos personagens, histórias entrelaçadas e complexidade na História em si da França na época das guerras.
Tom Hooper dirigiu "O Discurso do Rei", ganhou a estatueta do Oscar em 2011 pelo mesmo filme e se arriscou demais ao dar vida a obra de Victor Hugo. Algo louvável, porém ainda assim, um pouco perigosa. É ter em mãos a chance de homenagear ou destruir dois séculos de literatura e arte, alegrar ou desapontar fãs de várias épocas.
Mas, em uma análise geral, o filme teve bons frutos. Maquiagem e figurino impecáveis, inquestionável a capacidade desses profissionais que fizeram dessas duas artes (maquiagem e figurino) a mais impressionada pelo filme. É o que mais chama a atenção e de fato, o que mais impacta. O roteiro foi feliz, acredito que tenha sido de uma maneira eficiente. Os efeitos são bons também, mas nada acima das expectativas. Interpretações boas, destaque para Hugh Jackman, pois é a primeira interpretação dele que eu gostei. Saí do cinema pensando "Finalmente Jackman aprendeu a atuar!" (desculpem-me fãs, mas nunca conseguia levá-lo a sério), sem contar que ele canta muito. Anne Hathaway tem feito muito papel dramático e sinceramente eu já cansei um pouco disso. Foi muito competente, mas espero de coração que ela faça coisas novas. Cansei da Hathaway frágil, sofredora e boazinha. Meu querido Russell Crowe foi bom, mas nada demais. Tem uma voz maravilhosa e cantou super bem. Realmente nada supera Gladiador, mas enfim. Também não vi nada de extraordinário no personagem de Amanda Seyfried. Ela fez o que mandou o roteiro e pronto. Nada a acrescentar. O mesmo penso do par romântico dela, Eddie Redmayne. E o que mais me decepcionou no filme com certeza foi a participação de Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen. Sem desmerecer o talento e a competência de ambos, pois são atores estupendos, mas realmente achei muito infeliz a participação dos dois, já que, antes, eles fizeram "Sweeney Todd". Deu a péssima imprensão de que queriam apenas preencher as lacunas do filme com dois atores que já fizeram musicais, e se saíram super bem. Helena recebeu a indicação ao Globo de Ouro por sua atuação em Sweeney Todd.
Não gostei, achei um pouco de "economia de tempo" pra encontrar outros atores para o desafio de musical. Claro, que eles foram brilhantes, mas a imagem de Mrs Lovett não me saiu da mente enquanto via Helena interpretar. Uma lástima!
Outros pontos que deixam muito a desejar e desanimam são com certeza, os clichês. Parece que é regra, todo musical precisa de uma canção dramática feita na chuva. Sem contar nos deslizes e na falta de aperfeiçoamento em algumas áreas do filme. A estética do filme é impecável, mas as cenas de lutas e até mesmo as cenas de tiro foram fracas. Faltou muito aprofundamento na ação dessas cenas. Ficou muito vago e simples.
Como eu já disse, não sou fã de musical, mas esse em especial, eu obtive uma satisfação boa em geral. A cena final é belíssima e a música "One Day More" foi a minha preferida. Tirando esses inconvenientes e a chatice de aturar quem não é bom em cantar (Seyfried e outros atores), cantar o tempo todo, eu não poderia dar nada a mais nessa notinha boba que retrata minha satisfação ao filme.
Nota: 8,5/10
