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domingo, 9 de junho de 2013

Atores e seus personagens eternos

Eu sinceramente não sei até que ponto é bom interpretar o mesmo personagem diversas vezes. E também não consigo ver tanta vantagem nisso a longo prazo, mas há controvérsias sobre esse assunto. Alguns atores não se importam de ser vistos eternamente por causa de um único personagem, e outros tentam ao máximo desviarem desses rótulos, mas  seja pelo ótimo trabalho ou por simplesmente fazer o mesmo papel sempre, alguns atores a gente logo de cara associa com os personagens que marcaram suas carreiras.

Listei aqui alguns que são "inconfundíveis":

Hannibal Lecter - Anthony Hopkins


Apesar de ser um mito na indústria do cinema, Anthony Hopkins marcou sua carreira interpretando 3 vezes o serial killer canibal das obras de Thomas Harris. A primeira vez foi em "O Silêncio dos Inocentes" (1991), depois em "Hannibal" (2001), e "Dragão Vermelho" (2002). Sua performance foi tão extraordinária que lhe rendeu excelentes críticas e um Oscar de Melhor Ator por O Silêncio dos Inocentes. Hopkins declarou ter se inspirado em Charles Manson para compor o personagem, principalmente pelo fato de Hannibal Lecter não piscar no filme.

James Bond - Pierce Brosnan
É só olhar pra ele e você dirá: "Bond. James Bond!" O irlandês de 60 anos interpretou o agente secreto 007 por 4 vezes entre 1995 e 2002. Nesse tempo, ele fez outros filmes, mas o mais marcante de sua carreira sem dúvida é James Bond. Depois de pendurar as chuteiras (ops, digo, as armas), Brosnan não teve tanto destaque. Seu último filme foi em 2010, em "O Escritor Fantasma" e também participou do primeiro filme da franquia, "Percy Jackson e o Ladrão de Raios".

Jack Sparrow - Johnny Depp


É muito triste pensar que com o talento que Johnny Depp tenha, ele seja lembrado por muitos por causa do Jack Sparrow da franquia Piratas do Caribe. É claro que inegável que o personagem é muito marcante e único, e também é inegável que o up que Johnny Depp precisava em Hollywood foi por causa do capitão Sparrow. Depp interpretou o personagem 4 vezes e poderá interpretar mais uma, caso o boato de um quinto filme da franquia seja realmente realizado.

Alice - Milla Jovovich

A bela atriz ucraniana Milla Jovovich deu vida à personagem principal da saga Resident Evil por 5 vezes. Apesar de ser muito conhecida pela "moça do Resident Evil", Milla tem grandes papéis no cinema, como a inesquecível extraterrestre Leeloo de "O Quinto Elemento", a Lilli de "De Volta à Lagoa Azul"e a Violet de "Ultravioleta". Além de atriz, Jovovich é modelo, designer de moda e cantora. Sim, cantora! Lançou dois albuns: Divine Comedy e Peopletree Sessions. Ou seja, ela faz tanta coisa que é difícil associá-la somente a Alice de Resident Evil.

Wolverine - Hugh Jackman

Confesso que por causa do excesso de trabalhos relacionados a X-Men, eu sempre questionava o talento de Hugh, mas ele já me provou isso em "Os Miseráveis", então ele pode fazer quantas vezes quiser o mutante Wolverine, sabemos que ele é um bom ator. Mas seria melhor se arriscasse mais em outros horizontes. No total, Hugh Jackman interpretou Wolverine 6 vezes! E pelo que se lê por aí ele não pretende parar. E é por essas e outras que penso se fazem mesmo pelo que dizem "amar" a profissão ou pelo "amor" a grana milionária que recebem por ficarem apertando na mesma tecla sempre.

James Bond - Sean Connery

Antes de Pierce Brosnan encarnar no agente secreto mais famoso da ficção, muitos atores já haviam dado sua imagem e alma ao personagem, mas ninguém superou Sean Connery. Ele foi "Bond. James Bond" por 7 vezes entre 1962 e 1983! Com seus 82 anos de idade, Connery é lenda no mundo cinematográfico, mas não se pode negar que mesmo sendo respeitado por outros papéis, o escocês é figurado eternamente pelo personagem que marcou definitivamente sua carreira.

Harry Potter - Daniel Radcliffe

Ok, Harry Potter é uma saga de 7 livros. Pode ser que ele tenha tido um contrato para as 8 atuações do bruxo mais chato famoso do cinema. E mesmo que tenha acabado em 2011, podemos ver Daniel em "A Mulher de Preto", lançado um ano depois. Ainda é incerto sobre o futuro do britânico de 24 anos, mas uma coisa é certa: Ele sempre será lembrado como Harry Potter.

Seja por questão de cachê, por vaidade ou por gostar de desafios, há atores que abriram mão de interpretar o mesmo personagem sempre. Orlando Bloom e Keira Knightley não quiseram continuar interpretando Will Turner e Elizabeth Swann no quarto filme de Piratas do Caribe. Rachel Weiz não pôde, ou não quis, ou não teve tempo, dar continuidade no personagem de Ivy no terceiro filme da franquia A Múmia. Jim Carrey dispensou o convite em voltar com a comédia A Volta do Todo Poderoso, devido a experiência que teve em Ace Ventura. Ele não interpreta mais o mesmo papel duas vezes.
Enfim, pelas inúmeras razões que podem surgir, a questão principal seria até que ponto interpretar o mesmo personagem em diversas continuações é vantajoso para carreira profissional de um ator?

sábado, 1 de junho de 2013

Crítica: Imaginaerum

Título Original: Imaginaerum
Ano: 2012
Direção: Stobe Harju
Gênero: Fantasia
Nacionalidade: Canadá/Finlândia

Sinopse: Filme fantasioso baseado na música do 7º disco de estúdio da banda finlandesa Nightwish, que carrega o mesmo nome e tem 13 faixas.O protagonista do filme é um compositor com uma imaginação de outro mundo. Ele é um senhor de idade que pensa ainda ser um garoto. Enquanto dorme, ele viaja em seu passado distante, onde seus antigos sonhos retornam misturados com o mundo de música e fantasia do menino.Em seus sonhos, o senhor luta para encontrar as memórias que mais lhe importavam.
Fonte

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 Embarcando na análise crítica do último álbum lançado de Nightwish, feita pelo meu colega Allisson do blog Cineclub Hardcore, lá vou eu dar minha opinião sobre o filme, intitulado também de Imaginaerum.
Confesso que quando soube que a banda finlandesa (da qual eu gosto muito) faria um filme baseado no seu 7º CD, eu não dei importância. Na verdade, achei que seria mais como um conjunto de clipes de cada faixa do álbum que daria a composição do tal "filme". E confesso também que me preocupei, pois desde a "demissão" da antiga vocalista, a banda Nightwish tem passado por tempestades de críticas, vindas de todo o elo musical dos gêneros metal até os seus mais eufóricos fãs. Nightwish tem sido uma banda em teste, na qual cada algo novo que surge, surge também olhares duvidosos e pensamentos venenosos, resultado da insatisfação da grande massa contra a saída de Tarja Turunen. A corda bamba que Tuomas Holopainen tem atravessado desde o fim de 2005 tem colocado em prova até a integridade da banda, na qual tudo foi questionado.
Como se não bastasse, Tuomas se arrisca e desafia o público, provando que não dá importâncias as críticas e que confia cegamente no seu taco, e eis que surge o primeiro filme de Nightwish: Imaginaerum
Como cinéfila (pseudo) e como apreciadora da banda e por tudo o que o metal sinfônico Holopainen estava passando, eu esperava as piores impressões possíveis do filme. Eu não gostei muito do álbum e teoricamente fiz um pré-conceito do que aguardaria assistindo a película. Mas me enganei. 


Por não ser uma obra hollywoodiana, e nem ter os recursos top de linha, nem os conhecimentos mais sofisticados do povo da terra do Tio Sam, Imaginaerum deu um show em efeitos especiais. Foi simplesmente incrível ver aquela tecnologia sendo usada de maneira sábia, na medida e sem exageros. Fico imaginando como teria sido ainda mais incrível se fosse feito em terceira dimensão.
Atores britânicos desconhecidos, porém muito talentosos. Conseguiram transmitir em seus personagens não só a alma das músicas do álbum, mas como a alma da banda em si. Gostei da performance de todos, e destaque para Marianne Farley que durante todo o filme, me lembrou muuuito a Tarja. Era como se a própria Tarja estivesse no filme. Se foi propositalmente ou não, podemos afirmar que a Tarja mesmo não estando mais na banda, sempre irá compor uma parcela da grande obra de Nightwish.


Pra quem não ouviu o álbum e não tem ideia do que retrata, pode ser que a história do filme fique um pouco confusa, mas já vou avisando que se trata de pura fantasia (gênero que não me agrada mais, mas resolvi fazer uma exceção por conta desse filme), ou seja, coisas abstratas que só vemos em sonhos ou na própria imaginação.
A trilha sonora nem preciso comentar. É composta pelas faixas do álbum e mais um pouco. Indescritível! Simplesmente demais mesmo! De fato é o que move toda a fantasia e dá vida ao filme. Em outras palavras: Trilha perfeita!
Uma dica para os compositores de Hollywood: É melhor vocês tomarem muito cuidado, porque Tuomas Holopainen é bom no negócio viu... Não estranharia se ele começasse a compor trilhas sonoras e roubassem o emprego de vocês! hahaha


Em última instância, o filme é bom. A analogia com o álbum só completa um ao outro. E quem não ficou tão satisfeito com o álbum, sugiro que veja o filme e faça um balanço dos dois, porque é sem dúvida, algo louvável por parte da banda. Audacioso, porém confiante naquilo que são e o que querem fazer. Quem acha que Nightwish perdeu a identidade se enganou, e a prova do que realmente são está aí no filme Imaginaerum, melhor que muitos filmes fantásticos de Hollywood e com uma eficiência que daria pra dar aulas pra Terry Gilliam!
 

Nota: 8/10

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Crítica: Somos Tão Jovens

Título Original: Somos Tão Jovens
Ano: 2013
Direção: Antonio Carlos da Fontoura
Gênero: Biografia, Drama
Nacionalidade: Brasil

Sinopse: Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana. 
Fonte

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Acredito que eu esteja me arriscando demais em falar do filme do ídolo de milhares de brasileiros, até porque eu sei pouco sobre Renato Russo e a análise que estou fazendo é baseado no que o filme passou, não no que eu sei sobre ele, nem no que é verdade, ou que não foi mostrado no filme.
Pra começar, cinebiografia é algo difícil de digerir, assim como os musicais. A gente se depara com a situação rotineira das pessoas quando vemos o filme baseado na história delas e percebemos o quanto a vida pode ser monótona, devagar e às vezes muito chata. É por isso que é um tanto estranho alguém querer fazer um filme sobre a vida de determinada celebridade pra mostrar um único feito: vencer na vida. Sim, sabemos que muitas personalidades venceram, alcançaram sucesso e realizaram sonhos e sabemos também como elas fizeram isso: Elas não desistiram. E então, me pergunto às vezes porque alguém faria um filme sobre a vida do outro sendo que todo mundo já sabe o processo e o final da história.

Não que isso seja ruim, ou perda de tempo. Pelo contrário, acho válido, porque antes de fazer algo sobre alguém (ou sobre alguma coisa) você precisa de muita pesquisa, e isso enriquece muito o conhecimento. E serve pra mostrar a quem não conhece (no caso desse filme eu) quem era, como era e como foi toda a desenvoltura. Agora, desmembrar essa pesquisa e selecionar algumas coisas pra chegar no desfecho final da história e jogar isso numa tela de cinema é realmente ousado e muito arriscado. Porque o conhecimento que se obteve na pesquisa pode não ser nem metade da que mostrada na telona. A personalidade pode ter sido magnífica na realidade, mas no filme pode parecer que ela foi mais um que passou por cima dos obstáculos pra conseguir o que queria, sem nenhum efeito diferenciador. Ou seja, todo trabalho e a obra do artista pode ser arruinada.
O começo do filme anima muito. Você tem a sensação mesmo de que será um filmaço. Mas isso acaba nos primeiros vinte minutos. Tive a impressão da história dar voltas e voltas e nunca sair do lugar. Sim, eu sei que a vida das pessoas é assim mesmo, mas acredito que selecionaram algumas coisas mais pra "encher linguiça" do que pra completar todo o processo da vida musical de Renato. Os atores são bons, foram bastante eficientes, e Thiago Mendonça fez um Renato à altura. A semelhança física ajudou muito, mas a interpretação foi primordial.

Uma coisa que me deixou incomodada foi a locomoção das câmeras. O filme todo me pareceu que o cinegrafista estava bêbado ou não conseguia equilibrar o equipamento. Ou que a produção do filme tinha poucas câmeras. Aqueles movimentos foram na minha opinião, muito consistentes, a ponto de as vezes achar que eu estava tonta. Pode parecer exagero da minha parte, mas eu senti um incômodo muito grande com isso. Outro ponto negativo foi a iluminação. Achei que o filme ficou um tanto escuro, o que não é desculpa só porque são cenas externas a noite. Achei que alguns ângulos poderiam ter sido realizados de outras maneiras, o que poderia dar um realce mais pra iluminação do lugar, sem que ficasse tão escuro.
Em um aspecto geral, eu esperava mais. Mais história, mais emoção, mais detalhes que compusessem o Renato Russo mito que todo mundo venera. Algo a mais que mostrasse realmente o porquê dele ser tão especial dentro da música, do contexto político, da poesia e do ser humano. Se eu não soubesse o pouco que sei sobre Renato Russo, diria que sua história não teve nada demais. Acredito que o filme não passou tudo o que poderia ter passado e que possa ter falhado em alguns detalhes, mas em uma análise geral, o filme foi eficiente, nada mais.

PS: Fãs do cara não me matem, é apenas uma opinião pessoal!

Nota: 7/10
 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Crítica: Foi Apenas Um Sonho

Título Original: Revolutionary Road
Ano: 2008
Direção: Sam Mendes
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Anos 50. Frank (Leonardo DiCaprio) e April (Kate Winslet) formam um casal feliz. Eles sempre se consideraram especiais e prontos para levar uma vida seguindo ideais. Ao se mudarem para uma casa na Revolutionary Road eles ficam orgulhosos por declarar independência da inércia suburbana que os rodeava. Porém logo eles percebem que estão se tornando justamente aquilo que não queriam ser. Frank está em um trabalho insignificante e tem medo de tudo, enquanto que April é uma dona de casa infeliz. Decidida a mudar a situação, April propõe que comecem tudo de novo, deixando de lado o conforto da atual casa e recomeçando em Paris. Só que, para executar este plano, eles chegam aos seus extremos. 
Fonte

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Revolutionary Road reúne não só o casal vinte de Titanic que todo mundo (inclusive eu) adora, mas sim um conjunto de lições. Mesmo a história ser ambientada na década de 1950, o filme é muito atual. E é incrível poder analisar que vivemos em um presente que não é novo, apenas tomou novas formas, mas continua sendo uma reprodução do passado. É essa ideia central que eu tive enquanto assistia: As coisas não mudam.
Não tenho muitas análises quanto a obra em si. Leonardo DiCaprio é um dos meus atores favoritos e eu pago muito pau pra ele. Kate Winslet é também uma das minhas atrizes favoritas e vê-los juntos novamente é maravilhoso, como se fosse a união do leite condensado com nutella, mais doce e prazeroso, impossível. Demorei muito pra assistir por falta de entusiasmo mesmo. A sinopse não me agradou e tinha lido críticas péssimas quanto a ele, o que só reforçou minha falta de interesse. E também porque na época que foi lançado eu estava mais preocupada com o The Dark Knight do que qualquer outra coisa.


Mas acredito que tenha assistido na hora certa, porque é um filme que não é pra ser visto em qualquer momento. Você precisa se preparar e ter muita disposição porque não é fácil engolir uma história de casal já na fase madura do casamento, com filhos, deveres, conflitos e toda aquela casca de rotina. Então meu caro, já vou avisando, assista despido de qualquer incômodo. Se tiver deprê por qualquer motivo, não vai ver esse filme. Se você minha amiga, brigou com o namorado ou terminou com ele recentemente, não vá ver esse filme. Se você estiver com TPM, não vá ver esse filme. Se você tiver com dor no dedão do pé, não vá ver esse filme, e pelo amor de Deus, se você tiver cansado, com sono, não vá ver esse filme, porque certamente vocês não aguentarão nem dez minutos. Deixem para encarar esse desafio quando estiverem bem de espírito, de saúde e de alma. Em um dia que não tiverem do que reclamar da vida. Sim, esse dia é raro acontecer na vida da gente, mas ele acontece, dia sim, dia não. Então, aproveite esse dia em especial e assista Revolutionary Road.


Interpretações espetaculares de Leo e Kate como já podem esperar. A química deles é fantástica e eu sempre desejei que eles fossem um casal na vida real. Parecem que nasceram um para o outro, é incrível ver o entrosamento deles, a energia que move os dois, sem contar que formam um par divino. Personagens marcantes e com muito conteúdo. Todos eles! Tão reais, tão humanos e tão parecidos com gente como a gente. Destaque principalmente para o personagem de Michael Shannon, na qual interpreta um homem com problemas de temperamento e é considerado louco pela sociedade. É espantoso o talento desse cara! John Givings é um personagem memorável e tudo o que ele diz no filme é tão verdade, tão real e tão extraordinário. Com certeza, foi um dos mais marcantes.


Em questões técnicas, as interpretações dos atores são as que mais se destacam. Até porque, é um filme com muita tensão e aborda muitos temas. E acredito particularmente que possamos extrair algumas lições e abrir os olhos para algumas questões da vida. Sonhos, casamento, sentido de vida, escolhas, medo, são apenas alguns ingredientes que forma a receita dura, complexa e maravilhosa de Foi Apenas um Sonho.


Recomendo, mas nos termos que citei acima!


Nota: 9/10

domingo, 26 de maio de 2013

O jeito Shyamalan de fazer cinema

 Pensem em um cineasta odiado pelo público? Agora, multiplique esse ódio do público pelo ódio entre seus colegas de Hollywood? Some isso com todas as críticas negativas vindas de todos que entendem e dos que não entendem de cinema... E o resultado será M. Night Shyamalan, o cineasta indiano de 42 anos que ninguém entende!

Ninguém, com uma exceção aparente: Eu. Sim, eu entendo esse cara e melhor, eu gosto muito do trabalho dele. Não julgo quem não gosta, porque ninguém é obrigado a gostar, muito menos entender  todo mundo. Até hoje eu não consigo entender Lars Von Trier, apanho muito pra tirar alguma coisa de seus filmes e nem por isso fico martirizando o cara. Chega até ser uma questão de afinidade!

Night alcançou o auge do sucesso em 1999 com o filme O Sexto Sentido (e diga-se de passagem, um dos meus filmes favoritos), teve indicação ao Oscar, excelentes críticas, uma bilheteria incrível e a aposta de que seria um dos maiores cineastas do mundo. Corpo Fechado veio um ano após os louros de O Sexto Sentido. Teve boas críticas e conquistou o público devido a analogia do mundo real com o mundo dos super-heróis, mas não chegou nem perto do sucesso anterior. Depois, veio Sinais, filme que também colheu bons frutos, mas que também rendeu lhe críticas um tanto ácidas. Em A Vila, as opiniões ficaram divididas. Uns gostaram, outros detestaram e outros ainda (como eu) fez do filme uma incrível filosofia de vida.
Em A Dama na Água sua carreira despencou. E desde então, Night não conseguiu mais se reerguer. Muito pelo contrário, virou alvo de críticas, repúdio, e de uma hostilidade sem igual por parte de todo mundo. Já li coisas muito absurdas sobre ele, umas alfinetadas que chegam até ser maldosas e o posto de pior dos piores. Night perdeu credibilidade, perdeu público, e perdeu noção de como "montar" o quebra-cabeça de suas ideias.

Night tem o dom de atiçar. Ele cria nomes, cria esboços e transmite. As pessoas captam aquilo que ele transmite e aposta em uma coisa. Quando assiste, a decepção é notável, já que aquilo que fora induzido não era o foco do filme. E é aí que o "ódio" começa a trabalhar. O povo assiste seu trabalho pensando que é algo, e é aceitável que a indignação se crie quando não é passado aquilo que pensamos que fosse. É o que chamo de expectativa frustrada. E desse assunto, Night (infelizmente) tem doutorado.

Eu peguei o "jeitinho Shyamalan" desde O Sexto Sentido. As reviravoltas, as histórias entrelaçadas, o "é mas não é", os temas embutidos dentro de cada perspectiva do filme, a moral e todos os detalhes que ele faz questão de mostrar, já induz que podemos esperar qualquer coisa vinda de seu trabalho. E aí vai de cada um ter o olhar mais sensível para suas obras. Você vê, mas não vê, essa é a linha que comanda os filmes de Night. Esquece sinopse, cartaz, trailer... Vê, mas vê além, porque tem muita coisa oculta que Night desafia o telespectador a descobrir, e infelizmente tem pessoas que não tem esse ânimo, ou paciência. E há ainda aqueles que nem tentam! Mas enfim, vai de cada um. Eu pelo menos tento fazer isso com Lars Von Trier, e com qualquer um que tenha a "pegada" difícil de digerir.

Gosto desses desafios, e gosto muito da tática que Night propõe. Se bem que sou obrigada a concordar que ele ficou meio "confuso" ao "montar" todos esses esquemas pós A Vila. Acho que Night é bom pra fazer suspenses, e que tem parcerias ótimas. E gosto desse efeito metamorfose embutida nos seus filmes.
Se as críticas afetaram seu condicionamento em organizar as ideias, isso eu não sei, só sei que seria muito válido se as pessoas tentassem entender Shyamalan, e procurassem extrair algo além do suspense, além do imaginário, e passassem realmente a ver. Sei que não é uma tarefa fácil, mas acredito que tentar não custa nada e que o mundo seria muito mais gentil, se conseguíssemos ver um pouco do que ele nos desafia. Porque sim, há muita coisa boa embutida nos "fracassos" rotulados por aí.


PS: Uma dica pra entender melhor esse cara (e todos os outros cineastas) é assistir os making-offs! ;) Dá pra abrir bem a mente para os próximos filmes que se pretender assistir deles.

domingo, 19 de maio de 2013

Diretor de Fotografia: O que faz?

Eis aí uma área muito importante dentro do cinema, e uma das áreas que mais me fascino.
Mas o que faz um diretor de fotografia? Qual é o seu nível de importância dentro de um filme? Quanto ganha?

Segundo Jorge Monclar, diretor de fotografia, o profissional nessa área é o técnico de cinema e vídeo responsável pelas imagens de um produto audiovisual. Supervisiona em uma equipe de filmagem ou gravação tudo que pode interferir no resultado da imagem. Sugere os enquadramentos, alternativas de planos (e lentes), movimentos de câmera (equipamentos indicados para tal), no intuito de obter maior concisão narrativa do filme e melhor compreensão por parte do espectador. Tem a responsabilidade artística de criar um clima dramático-visual através da textura fotográfica obtida com o uso de filtros, negativos e iluminações sugeridas pelo roteiro, transpondo em imagens as ideias do diretor do filme ou vídeo. É co-responsável, em parceria com o diretor e o montador do filme, pela linguagem narrativa do produto audiovisual.

Acompanha o filme, do ponto de vista técnico, em todas as etapas, desde a preparação, passando pelas filmagens e a finalização em laboratório (revelação, cópia, trucagens e marcação de luz), até a primeira cópia de exibição comercial. No Brasil, a grande maioria dos diretores de fotografia acumulam a função de operador de câmera, ao contrário do que ocorre na grande indústria cinematográfica americana ou européia.
O diretor de fotografia deve possuir um conhecimento técnico de: ótica, filmes, filtros, efeitos especiais, iluminação; paralelamente aos conhecimentos artísticos de: linguagem cinematográfica (montagem), composição, cores e estética. É o chefe da equipe técnica em uma filmagem. Para exercer a função, deverá cursar uma escola de cinema ou galgar cargos de formação em vários filmes como estagiário: fotógrafo de cena (still), carregador de chassis (clap loader), 2º assistente de câmera, 1º assistente de câmera, operador de câmera e finalmente fotógrafo de cena.

Salário: Seguindo a tabela da Sindcine (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual), referente à 2012/2013, em uma jornada de 6 horas por dia (filmagens realizadas em estúdio) e 8 horas por dia (filmagens realizadas em ambiente externo), o Diretor de Fotografia ganha em média R$ 1.913,12 por semana. Esse valor aumenta quando o diretor assume também o trabalho de Operador de Câmera, e seu salário salta para R$ 2.565,92 por semana.

Esse ano, o diretor de fotografia chileno, Claudio Miranda recebeu o Oscar por seu trabalho em "As Aventuras de Pi". Ele já foi indicado ao prêmio antes por seu trabalho em "O Curioso Caso de Benjamin Button" que na minha humilde opinião merecia muito mais (pois, em "Pi" se usou muita técnica de computador pra criar efeitos e digamos assim, pouca visão realista, algo muito usado em "Benjamin Button", na qual os ângulos das cenas, e a iluminação se casaram perfeitamente, deixando o filme extremamente belo!) Mas enfim, estamos falando da Academia né...

Cena de "As Aventuras de Pi"

Cena de "O Curioso Caso de Benjamin Button"

Fonte: Sindcine

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Livro versus Filme

Quando você lê um livro, você abre a parte do seu cérebro responsável pela imaginação, e aí você começa a reproduzir tudo o que você está lendo. Você cria as emoções dos personagens, cria seus aspectos físicos (de acordo com o que autor propõe), os lugares pra onde passa, cria seus sonhos, seus desejos, seus medos, passa a imaginar por eles, a pensar por eles, a viver por eles. Mesmo que seja conduzido por outrem, a maneira como você fará, dependerá somente de você. E não há regras. Você tem o manual de instrução, basta fazer seu objeto funcionar.

Quando você assiste a um filme, você abre a parte do seu cérebro responsável pela sensibilidade, pela percepção. E aí você começa a analisar tudo o que você está vendo. Você passa a sentir as emoções dos personagens, a se colocar no lugar deles, a entendê-los, a sofrer com eles, a odiá-los, a amá-los, enfim, tudo isso vendo como eles são, o meio em que vivem, muitas vezes seu dia-a-dia, seu histórico de vida. Você passa também a imaginar como será o final desses personagens e da história mostrada. A única coisa que você cria quando vê um filme é a expectativa. Tudo o que lhe é mostrado são vários pontos de vista. Quando o roteirista escreve um roteiro, ele faz um filme. Quando o produtor lê o roteiro e passa a desenvolver sua função (desde os recursos financeiros até a montagem técnica-artística) ele faz um filme. Quando o ator lê o roteiro e interpreta um personagem, ele faz um novo filme. Quando o diretor dirige o filme, ele faz um outro filme. São vários pontos de vista entrelaçados em um único objeto. E você assiste aquilo que cada um tem em vista sobre aquele determinado tema abordado no filme.

Então meu caro, se você vive falando que o livro é melhor que o filme, eu te dou razão. O livro, você cria, você imagina. O filme, você assiste, sente, cria expectativa. Já vem tudo pronto. E o que é transmitido não é de fato o que é a verdade contada nos livros. Não há como um livro virar filme. São apenas pontos de vistas. Tim Burton fez uma Alice da maneira que ele acha que a Alice é. Muita gente criticou. Mas é a Alice no País das Maravilhas vista pelo Tim Burton, e ele transmitiu isso no filme. Não precisa prevalecer. Eu vejo Alice de um jeito, você de outro. Todos nós temos pontos de vistas que muitas vezes diferenciam-se entre nós. Não somos obrigados a aceitá-los, mas temos o dever de respeitá-los.

É como o próprio Jeff Lindsay (autor do best-seller Dexter) disse. Ele não assiste a série Dexter como uma reprodução daquilo que ele escreveu, porque ele sabe bem que é apenas uma ADAPTAÇÃO. Ele assiste como se fosse uma outra história, como se aquilo não tivesse sido criado dele mesmo. E façamos disso uma dica: Leia livros sim, e quando for ver o filme do livro, vá sem preconceitos, sem julgamentos... Vá como se estivesse indo ver uma outra história, porque, é isso mesmo o que vocês vão ver, uma outra história!